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dezembro 27, 2010

Sigla S.O.S. não é uma sigla

(...) eu fazia parte daquela “muita gente” que pensa que SOS é a sigla para “save our souls“; fui no rastro da tua informação e descobri que eu estava completamente enganado. Realmente, o primitivo pedido de socorro, usado pelos navios em perigo, era CQD (CQ era o sinal usado para chamar todas as estações, em geral; D era a letra acrescentada para indicar “distress“, aproximadamente “situação de perigo”). No conhecido episódio do Titanic, por exemplo, o radiotelegrafista transmitiu várias vezes o CQD, passando depois a intercalá-lo com o SOS, que ainda não era muito difundido.

SOS foi escolhido por um comitê internacional, em 1908, por causa da facilidade de sua transmissão, que podia ser realizada mesmo por um operador sem treinamento — em código Morse, o S corresponde a três pontos, e o O corresponde a três traços. Durante a 2ª Guerra, algumas marinhas adotaram a modificação SSS sempre que se tratasse de ataque por submarino, a fim de avisar os navios de socorro do perigo oculto sob as águas.

Na verdade, o sinal de SOS, além de não representar as iniciais de palavras, como pessoas simples como eu pensavam, nem mesmo letras representa: para não ser confundido com nenhuma outra seqüência de caracteres, o sinal deve ser transmitido numa seqüência ininterrupta, sem os espaços que o código Morse intercala entre as letras. Usando a convenção do Morse falado (/di/ para ponto e /da/ para traço), o sinal soa como /di-di-di-da-da-da-di-di-di/, e não /di-di-di … da-da-da … di-di-di/. É uma pena; eu conhecia várias versões sobre a verdadeira frase oculta nas três iniciais, além de “save our souls“: “save our ship” (salvem nosso navio); “stop all signals” (cessem todas as transmissões); “send out succor” (enviem socorro); agora, tudo fica reduzido a uma simples série de dis e de das. Como disse Thomas Huxley, falando da Ciência: é trágico quando os feios fatos matam uma bonita teoria. Abraço.

by Cláudio Moreno
Fonte: Texto do site Sua Língua

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